Justiça determina restauração de última casa de seringalistas de Cruzeiro do Sul

Estrutura abandonada é a última casa de seringalistas de Cruzeiro do Sul A Justiça do Acre determinou que a prefeitura de Cruzeiro do Sul, no interior do Acr...

Justiça determina restauração de última casa de seringalistas de Cruzeiro do Sul
Justiça determina restauração de última casa de seringalistas de Cruzeiro do Sul (Foto: Reprodução)

Estrutura abandonada é a última casa de seringalistas de Cruzeiro do Sul A Justiça do Acre determinou que a prefeitura de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, restaure e preserve o Palacete dos Ruelas, um dos patrimônios históricos do município e que está abandonado há mais de duas décadas. A decisão é da 2ª Vara Cível de Cruzeiro do Sul, no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC). O prédio foi construído em 1940 e pertencia ao seringalista Joaquim Maria Ruela. À Rede Amazônica, a prefeitura disse, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, que ainda não foi informada oficialmente da decisão e que só irá tomar providências depois da notificação. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Conforme a decisão, o processo tramita há mais de uma década e ganhou um novo desdobramento após o principal responsável pela recuperação do imóvel, um empresário da cidade, declarar à Justiça que não possui qualquer título de propriedade ou direito sobre o bem, além de renunciar formalmente à posse que exercia. Palacete dos Ruelas, patrimônio histórico de Cruzeiro do Sul, está abandonado há mais de duas décadas Reprodução/Rede Amazônica Acre Com isso, a juíza que assinou a decisão, Rosilene de Santana Souza, reconheceu o pedido e transferiu as obrigações ao município. LEIA TAMBÉM: Usina de Arte João Donato completa 20 anos de fundação com programação em Rio Branco Biblioteca da Floresta é reaberta em Rio Branco após mais de 6 anos em obras Forró do Senadinho é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Acre Conforme a medida, a responsabilidade subsidiária da prefeitura já havia sido definida em decisão anterior do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC). Ainda de acordo com a magistrada, com o esgotamento da possibilidade de cumprimento da obrigação pelo responsável principal, cabe ao ente público, no caso a prefeitura da cidade, assumir as medidas necessárias para garantir a proteção do patrimônio histórico. “Essa transferência não é uma inovação, mas a simples aplicação do comando judicial transitado em julgado”, detalha outra parte do texto. A prefeitura tem o prazo de 90 dias, sem prorrogação, para apresentar um plano detalhado de execução do projeto de restauração do Palacete dos Ruelas, incluindo um cronograma e indicação de responsável técnico. A decisão também determina que a prefeitura de Cruzeiro do Sul deve comprovar o tombamento formal do imóvel e a regularização dos registros necessários, além de, em 30 dias, informar as condições atuais de proteção física do prédio, com comprovação fotográfica da instalação de barreiras de isolamento. Caso a medida seja descumprida, a Justiça fixou multa diária de R$ 2 mil. Os valores serão destinados ao fundo de proteção do patrimônio cultural. “O histórico de mais de dez anos de inércia e a progressiva degradação do bem exigem a adoção de medidas que assegurem, de uma vez por todas, o cumprimento da decisão judicial”, justificou a juíza na decisão. Prédio foi erguido em 1940 e pertencia ao seringalista Joaquim Maria Ruela Reprodução/Rede Amazônica Acre Patrimônio Construído durante o Ciclo da Borracha, o Palacete dos Ruelas se tornou um símbolo da formação e do desenvolvimento da cidade, porém está abandonado há mais de duas décadas. A casa é o prédio residencial mais antigo construído em alvenaria no município, e simboliza a formação da cidade por meio da exploração do látex, que atraiu empresários de diversos países para a produção da borracha na Amazônia. Palacete dos Ruelas foi erguido pelo seringalista Joaquim Maria Ruela, em 1940, em Cruzeiro do Sul Reprodução/Rede Amazônica Acre Os primeiros moradores da residência já faleceram e os herdeiros deixaram a cidade. Conforme a professora Adriana Oliveira, que faz estudos sobre o imóvel, o proprietário construiu a casa com a intenção de que se tornasse um patrimônio da cidade. “Eles fazem questão de reafirmar a vontade do avô deles, de que a casa seja entregue à prefeitura e que a prefeitura administre ali o museu. E que nesse museu esteja contando a trajetória do seu Joaquim, vindo lá de Portugal”, disse. De acordo com o historiador Franciney Almeida, a decisão da Justiça é apenas o começo para a recuperação do patrimônio histórico. “A partir de agora, a gente vai mudar o foco e vai deixar de lutar para ter o patrimônio, mas lutar para que a prefeitura assuma sua responsabilidade. Uma intervenção rápida, muito rápida, poderia ser feita agora, esses dias, isolar o ambiente para que as pessoas da rua parassem de acessar aquele local e esse processo de deterioração do prédio possa ser estancado”, apontou. Reveja os telejornais do Acre